Dia Internacional da Mulher: As mulheres advogadas têm o que comemorar?

Uma pesquisa revelou que a violência política contra mulheres aumentou entre 2020 e 2024

Um levantamento feito a partir de notícias publicadas no Brasil, pela equipe do projeto De Olho nas Urnas, apontou aumento no número casos noticiados de violência política de gênero no período eleitoral de 2024, em comparação ao mesmo período do ano de 2020. De acordo com uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), mais de 60% das prefeitas e vices afirmam já ter sofrido algum tipo de violência política de gênero durante a campanha ou mandato.

Segundo a advogada Dra. Maria Inês Vasconcelos, lugar de mulher não é onde ela quiser. Esse lugar é de construção. “A sub-representação das mulheres no Parlamento e nos espaços de poder e decisão é um fato no Brasil. A violência em face da mulher na política, é caricatura da opressão de gênero. É um desejo de que a mulher se omita ao seu próprio caráter. Vem para impor medo, vem para calar a mulher e às vezes até mata”, salienta.

A violência praticada pelos homens é consciente, intencional e dolosa e por razões bastante óbvias: não medem esforços para manter – os assuntos que são da mulher, de fora da agenda política.

Conforme a pesquisa feita pelo De Olho nas Urnas, no mês de outubro de 2024, ameaças, fraudes e violências contra apoiadores ou familiares figuraram como os subtipos mais frequentes. Nesse período, foram noticiadas duas tentativas de feminicídio, um estupro e uma agressão física. “A violência política está em seu auge representando uma incerteza social e uma experiência na qual se deseja que certezas morais cedam à pressão masculina. Ao contrário do que se pode pensar, esses ataques não são isolados e são realizados, a céu aberto, numa democracia que se intitula Estado de Direito”, afirma a advogada.

Décadas de desigualdade, exclusão cultural, segregação política e de profunda divisão nos planos econômico, cultural e político, marcaram a vida da mulher brasileira no último século. Ela, contudo, segue reagindo. Isso é feminismo. “As mulheres esperam e trabalham para a renovação moral e política no Brasil. Querem que não haja silêncios que restrinjam a sua liberdade de votar e ser votada”, conta a Dra. Maria Inês Vasconcelos.

A violência política está em seu auge representando uma incerteza social e uma experiência na qual se deseja que certezas morais cedam à pressão masculina. Ao contrário do que se pode pensar, esses ataques não são isolados e são realizados, a céu aberto, numa democracia que se intitula Estado de Direito.

O Brasil é uma democracia, a violência em face da mulher só pode ser vista com arrepios, antecipando arrepios maiores que tem um porvir. Para a advogada o raciocínio é claro: a voz da mulher é algo que é valioso para a própria mulher, que sabe melhor do que ninguém, os riscos vorazes aos seus direitos. “Não cabe aqui nada mais do que um fio de elegantes reticências. Quem matou Marielle… A mulher tem os mesmos direitos políticos que os homens. Mulheres podem votar e ser votadas e mulheres existem e persistem”, conclui.

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