As redes sociais vivem nos perguntando se somos humanos.
“Marque os semáforos.”
“Prove que não é um robô.”
“Confirme sua identidade.”
Bastam alguns cliques.
E pronto: você está autorizado a existir.
Curioso.
Nunca nos perguntam se sabemos sentir.
Nunca nos perguntam se sabemos respeitar.
Nunca nos perguntam se sabemos cuidar.
Enquanto isso, humanos “verificados” destroem países em nome de ideologias, transformam mentiras em bandeiras, ódio em discurso, violência em projeto.
Com perfil autenticado e consciência desligada.
Adolescentes riem enquanto machucam.
Filmam a crueldade.
Transformam dor em entretenimento.
E curtidas em medalhas.
O crime organizado não se esconde mais.
Ele tem marketing.
Tem seguidores.
Tem fãs.
E nós seguimos passando no teste do robô.
Talvez o erro esteja na pergunta.
Porque ser humano nunca foi reconhecer imagens borradas.
Ser humano é reconhecer limites.
É saber dizer “isso não”.
É aprender a lidar com frustração sem destruir o outro.
É sentir vergonha antes de sentir orgulho.
Mas ninguém ensina isso.
A escola ensina fórmula.
A internet ensina ódio.
A família, muitas vezes, está ausente.
E a tela virou babá.
Depois perguntam por que tudo está quebrado.

Vivemos na era em que a brutalidade viraliza.
A mentira corre.
A empatia se arrasta.
E a verdade pede desculpas por existir.
Ainda assim, existe saída.
Ela começa pequena.
Começa quando alguém ensina um jovem a sentir.
Quando alguém troca julgamento por escuta.
Quando alguém usa arte, música, palavra e presença para lembrar: você importa — e o outro também.
Começa quando paramos de formar plateias
e voltamos a formar pessoas.
Quando a cultura vira ponte.
Quando o afeto vira resistência.
Quando a responsabilidade vira hábito.
Então eu pergunto:
O que é ser humano hoje?
É vencer debates?
Ou cuidar de gente?
É humilhar?
Ou proteger?
Que jovens estamos formando?
E, principalmente, quem está disposto a formar junto?
Porque não vamos salvar o mundo inteiro.
Mas podemos salvar pedaços.
Bolhas.
Histórias.
Vidas.
Talvez, um dia, os algoritmos parem de perguntar se somos robôs.
E comecem a perguntar:
“Você aprendeu a ser humano?”
E, dessa vez, a resposta não virá de um clique.
Virá das escolhas que fizemos.
Todos os dias.
Texto – Fredi Jon
A musica é a ponte para um mundo mais humano
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