O telefone morreu

Por Fredi Jon O telefone morreu. Não houve velório, nem missa de sétimo dia. Talvez porque ninguém tenha percebido exatamente quando. Esse pensamento me ocorreu ao voltar de uma serenata. Eu estava com vontade de ligar para um amigo e contar um fato tão divertido que, por telefone, provavelmente renderia boas risadas. Era daqueles acontecimentos que precisam ser contados com entusiasmo, com pausa, com exagero, com aquela interrupção inevitável de quem começa a rir antes mesmo de terminar a história. Peguei o celular. Parei. Pensei: “Será que ele pode atender?”…

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Quando a música encontra seu intérprete

Por Fredi Jon Talvez exista na música uma espécie de mistério que a técnica, por mais sofisticada que seja, jamais consiga explicar completamente: algumas músicas parecem esperar por uma determinada voz. Não é apenas uma questão de afinação, extensão vocal ou domínio técnico. É algo mais profundo. Há intérpretes que encontram uma sequência harmônica e parecem reconhecê-la antes mesmo de compreendê-la racionalmente. Como se aqueles acordes já estivessem, de alguma maneira, dentro deles. Uma música pode ser perfeitamente construída e, ainda assim, permanecer adormecida. A harmonia está ali, a melodia…

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